O Judiciário brasileiro terminou 2025 com 75,5 milhões de processos em tramitação, segundo o relatório Justiça em Números 2026 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com ano-base 2025. Um ano antes, a edição de 2025 do mesmo relatório registrava 80,6 milhões de processos pendentes no fim de 2024, número que deu título a esta página.
O estoque caiu, mas continua grande: em 2025 entraram 40,9 milhões de casos novos, o maior volume da série histórica iniciada em 2009. Nem todo processo pendente está, de fato, parado. Abaixo, a evolução do estoque, o que conta como processo "parado" e o que esses números significam para quem espera uma decisão.
Os dois últimos relatórios Justiça em Números mostram a mesma tendência de queda do acervo:
| Indicador | Justiça em Números 2025 (ano-base 2024) | Justiça em Números 2026 (ano-base 2025) |
|---|---|---|
| Processos pendentes no fim do ano | 80,6 milhões | 75,5 milhões |
| Casos novos no ano | 39,4 milhões | 40,9 milhões |
| Taxa de congestionamento | 64,3% | 62,6% |
| Índice de Atendimento à Demanda | 113,6% | 110,4% |
Fontes: CNJ, divulgação do Justiça em Números 2025 (23/09/2025) e divulgação do Justiça em Números 2026 (25/06/2026).
A taxa de congestionamento mede quanto do que tramitou no ano continuou pendente no fim dele. O Índice de Atendimento à Demanda compara processos baixados com casos novos: acima de 100%, o Judiciário encerra mais do que recebe, e o estoque cai.
O Painel de Estatísticas do Poder Judiciário, também do CNJ, mostra a série de processos pendentes em 31 de dezembro de cada ano:
| Ano | Processos pendentes |
|---|---|
| 2020 | 81.730.798 |
| 2021 | 83.584.544 |
| 2022 | 84.227.684 |
| 2023 | 84.374.909 |
| 2024 | 79.058.580 |
| 2025 | 75.011.830 |
Fonte: CNJ, Judiciário inicia 2026 com o menor estoque de processos pendentes em seis anos (26/01/2026).
O acervo ficou acima de 80 milhões de 2020 a 2023 e começou a cair em 2024. A redução de 2025 veio sobretudo das execuções fiscais, cobranças de tributos pelo poder público, que recuaram 4,4 milhões de casos no ano.
O painel indica cerca de 79,1 milhões de pendentes no fim de 2024; o relatório de 2025 falava em 80,6 milhões para a mesma data. O painel e o relatório anual são consolidados em momentos diferentes, e os tribunais revisam dados ao longo do tempo.
Para comparar anos, use sempre a mesma fonte e a mesma edição.
O estoque total inclui processos que não podem andar por motivo jurídico. Segundo o painel do CNJ, dos cerca de 75 milhões de pendentes no fim de 2025, 58,5 milhões formavam o estoque líquido, que exclui os processos:
São esses os processos parados no sentido estrito: pouco mais de 16 milhões, pela diferença entre os dois números do painel. Sem eles, a taxa de congestionamento de 2025 cai de 62,6% para 56,6%, o menor valor da série.
O restante do acervo está em andamento, mas numa fila longa. Nas execuções fiscais, a taxa de congestionamento foi de 72,4% em 2025: de cada 100 processos desse tipo que tramitaram no ano, 28 foram baixados. Elas representavam cerca de 22% de todos os casos pendentes.
A média nacional mistura execuções fiscais, processos criminais e causas entre particulares. Para quem cobra uma dívida ou discute um contrato, dois recortes ajudam a dimensionar a espera:
Os tempos por fase e por ramo da Justiça estão em quanto tempo dura um processo judicial, e as causas da demora, em por que a Justiça no Brasil é lenta.
As despesas totais do Poder Judiciário somaram R$ 164,6 bilhões em 2025, segundo o Justiça em Números 2026. No mesmo ano, a atividade jurisdicional arrecadou R$ 68,2 bilhões, dos quais R$ 30,7 bilhões vieram de custas e R$ 16,2 bilhões de dívidas cobradas em execução fiscal.
O relatório também informa que cerca de metade das ações tramita sem cobrança de custas, por serem criminais, de juizados especiais ou com gratuidade. Para quem paga, o custo de um processo vai além da taxa inicial; a comparação está na análise completa de custos entre arbitragem e Judiciário.
Estatística nacional dá a escala do problema, mas não prevê o prazo de ninguém em particular. Quem depende de uma decisão não compete com a média, e sim com a fila real da vara onde o processo cai, que pode estar bem acima ou abaixo dela.
O estoque em queda é uma boa notícia para o sistema. Para quem entra com uma ação hoje, a fila continua longa, e a fase de execução, quando o devedor não paga, segue como o principal gargalo.
Para conflitos sobre direitos patrimoniais disponíveis, como contratos, aluguéis e cobranças, há caminhos que não dependem do acervo:
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