Arbitragem vs Judiciário: análise completa de custos

  • Isadora Nobre
Publicado dia
31/7/2025
·
19 min.
de leitura
Arbitragem vs Judiciário: análise completa de custos
  • Processo judicial

O processo judicial tem entrada barata e custo final incerto; a arbitragem tem entrada mais cara e custo conhecido desde o início. No Judiciário, você paga taxa judiciária em cada fase, despesas, perícia e advogado, e corre o risco de pagar a sucumbência se perder. Quem quer comparar os dois caminhos além do custo pode ver como prazo, custo e resultado da arbitragem e do Judiciário se diferenciam na prática.

Na arbitragem, paga taxa da câmara e honorários do árbitro, fixados pela tabela da instituição escolhida. Além do custo, as diferenças entre arbitragem digital e Judiciário aparecem no prazo, na forma de condução e na previsibilidade do resultado.

Qual sai mais barato depende de três variáveis: o valor em disputa, a câmara escolhida e quanto tempo o dinheiro fica parado. Numa grande câmara institucional como o CAM-CCBC, só as custas mínimas passam de R$ 80 mil. Em câmaras digitais com custo fixo, a arbitragem cabe em disputas bem menores. É esse modelo de custo fixo que torna viável a arbitragem digital para reduzir exposição financeira em cenários de incerteza.

Abaixo estão as parcelas de cada lado, com valores de tabelas oficiais, um exemplo hipotético e os casos em que o Judiciário é a opção mais econômica. Essa diferença de previsibilidade ajuda a explicar o debate sobre arbitragem e a sobrecarga do Judiciário brasileiro.

Custos da arbitragem vs processo judicial: visão geral

ItemProcesso judicialArbitragem
Taxa de entradaTaxa judiciária sobre o valor da causa (em SP, 1,5% na distribuição)Taxa de registro da câmara, em valor fixo
Custo de conduçãoDespesas de citação, diligências e editais, fase a faseTaxa de administração, definida pela tabela da câmara
Quem decideJuiz, remunerado pelo EstadoÁrbitro, remunerado pelas partes (honorários de tabela)
RecursosCada recurso tem preparo próprio (em SP, 4% na apelação)Sem recurso de mérito (Lei 9.307/96, art. 18)
PeríciaAdiantada por quem pede a prova (CPC, art. 95)Também existe e é adiantada conforme o tribunal arbitral determinar
AdvogadoObrigatório fora das hipóteses do Juizado EspecialFacultativo (Lei 9.307/96, art. 21, § 3º)
Quem paga no fimO vencido reembolsa despesas e paga honorários de 10% a 20% (CPC, arts. 82 e 85)A sentença arbitral decide, respeitada a convenção (Lei 9.307/96, art. 27)
PrevisibilidadeBaixa: o total depende de quantas fases o processo atravessaAlta: as custas principais são conhecidas antes de começar

Quanto custa um processo judicial

O custo judicial é a soma de cinco contas. As duas primeiras vão para o Estado; as outras dependem do caso e do resultado. Além da conta individual, há um efeito coletivo, já que a arbitragem contribui para a redução de processos no Judiciário.

  1. Taxa judiciária: tributo calculado sobre o valor da causa, cobrado de novo em cada fase. Cada estado tem sua lei de custas.
  2. Despesas processuais: citação, oficial de justiça, editais e certidões, antecipadas por quem pede o ato (CPC, art. 82).
  3. Perícia: honorários do perito, adiantados pela parte que requereu a prova ou rateados quando ambas pedem (CPC, art. 95).
  4. Honorários do seu advogado: combinados em contrato, com valores de referência nas tabelas de cada seccional da OAB.
  5. Sucumbência: se perder, você reembolsa as despesas da outra parte e paga ao advogado dela entre 10% e 20% da condenação, do proveito econômico ou do valor da causa (CPC, art. 85, § 2º).

Em São Paulo, a Lei Estadual nº 11.608/2003 fixa a taxa judiciária em 1,5% do valor da causa na distribuição, 4% no preparo da apelação e 2% no início do cumprimento de sentença (art. 4º). Esse peso das custas também se relaciona com o volume de casos, e a arbitragem pode ajudar a reduzir a carga dos tribunais de justiça.

Cada recolhimento tem mínimo de 5 e máximo de 3.000 UFESPs, e a UFESP vale R$ 38,42 em 2026, segundo o Comunicado DICAR nº 88/2025. Esses custos convivem com outro problema estrutural, o excesso de processos na Justiça, que torna cada fase do processo ainda mais demorada.

O detalhamento de cada parcela, com a tabela paulista completa, a gratuidade e o Juizado Especial, está em quanto custa entrar com um processo. Esse cenário de custos se agrava pelo volume de processos parados no Judiciário, que prolonga cada fase e aumenta as despesas ao longo do tempo.

Quanto custa uma arbitragem

Na arbitragem, as custas são definidas pelo regulamento da câmara que as partes escolheram. A estrutura costuma ter três partes:

  • Taxa de registro: valor fixo pago por quem inicia o procedimento.
  • Taxa de administração: remunera a câmara pela condução do caso.
  • Honorários do árbitro ou do tribunal arbitral: remuneram quem decide.

Podem se somar custas eventuais, como perícia e fundo de despesas. A Lei 9.307/96 permite que o compromisso arbitral declare quem responde pelos honorários e despesas (art. 11, V), e a sentença decide a responsabilidade final das partes (art. 27).

Exemplo de tabela: câmara institucional de grande porte

O Regramento de Custas do CAM-CCBC, em vigor desde novembro de 2025, mostra como funciona uma das maiores câmaras do país. A taxa de administração e os honorários são rateados 50% para cada parte.

CAM-CCBC, regramento 2025Arbitragem expedita (causa até R$ 1 milhão)Procedimento padrão (causa até R$ 2 milhões)
Taxa de registroR$ 5.500R$ 5.500
Taxa de administraçãoR$ 32.900R$ 144.900
Honorários do árbitro únicoR$ 49.400R$ 130.400
Custas principais mínimasR$ 87.800R$ 280.800

São valores mínimos, que valem para qualquer causa até o limite da faixa. Uma disputa de R$ 100 mil pagaria as mesmas custas que uma de R$ 1 milhão. Esse modelo foi desenhado para disputas empresariais de alto valor, e por isso a ideia de que "arbitragem é cara" nasce dele.

Câmaras digitais com custo fixo

Câmaras que conduzem o procedimento online reduziram a estrutura e passaram a atender disputas menores. Na Arbitralis, o custo é fixo e conhecido antes do início, o procedimento é 100% online, não exige advogado e a sentença arbitral sai em até 30 dias.

Como escolher a instituição e o que comparar nos regulamentos está em como escolher uma câmara arbitral.

Exemplo hipotético: cobrança de R$ 100 mil em São Paulo

Imagine uma empresa que cobra R$ 100 mil de um cliente por um contrato descumprido. O exemplo é hipotético e considera apenas as parcelas que têm valor fixado em lei ou em tabela oficial.

ParcelaNo Judiciário (TJSP)Na arbitragem
EntradaTaxa de distribuição de 1,5%: R$ 1.500Custas da câmara escolhida, conhecidas antes
Se houver recursoPreparo da apelação de 4%: R$ 4.000Não há recurso de mérito
Para receberCumprimento de sentença, 2% do crédito: R$ 2.000Se o devedor não pagar, cumprimento de sentença no Judiciário, sujeito à mesma taxa
Se perderSucumbência de 10% a 20%: R$ 10 mil a R$ 20 milConforme a sentença arbitral e a convenção
AdvogadoObrigatório, conforme contratoFacultativo

Só a taxa judiciária soma R$ 7.500 se o processo passar por sentença, apelação e cumprimento, sem contar citação, perícia e advogado.

Na arbitragem, a comparação muda conforme a câmara: numa grande câmara institucional, as custas mínimas superariam o próprio valor em disputa; numa câmara digital de custo fixo, o valor é conhecido no dia em que o caso começa.

A execução merece atenção. O árbitro não penhora bens: se a parte vencida não paga, a sentença arbitral é executada no Judiciário como título executivo judicial, e a taxa do cumprimento de sentença também incide. O caminho está em como funciona a execução da sentença arbitral.

O custo do tempo

A conta que mais pesa não aparece em nenhuma guia de recolhimento. Segundo o Justiça em Números 2026, do CNJ, os processos baixados em 2025 duraram em média 2 anos e 4 meses, e os que continuavam pendentes tinham 3 anos e 7 meses de tramitação. Prazos assim mostram por que se discute tanto como reduzir o número de processos no Brasil e desafogar os tribunais.

Durante esse período, o valor em disputa fica parado. A condenação é corrigida e rende juros de mora, mas isso não devolve o capital de giro nem as horas da equipe dedicadas ao caso.

Como esses índices são calculados está em juros de mora e correção monetária em 2026, e os tempos por fase, em quanto tempo dura um processo judicial.

Na arbitragem, as partes combinam o prazo da sentença; sem combinação, a lei fixa seis meses a partir da instituição (Lei 9.307/96, art. 23).

Não há estatística oficial nacional sobre a duração das arbitragens. A pesquisa Arbitragem em Números 2025, com oito grandes câmaras, registrou em 2024 duração média de 21 meses sem perícia, 49 meses com perícia e cerca de 8 meses nas arbitragens expeditas.

Custos que não aparecem no orçamento

  • Publicidade: os atos do processo judicial são públicos, salvo segredo de justiça (CPC, art. 189). Na arbitragem, o sigilo depende do que a convenção ou o regulamento preveem, e processos judiciais ligados a uma arbitragem sigilosa tramitam em segredo de justiça quando essa confidencialidade é comprovada (art. 189, IV).
  • Imprevisibilidade: no Judiciário, cada recurso reabre prazos e custas, e ninguém sabe no início quantas fases o caso terá. Na arbitragem, a sentença não fica sujeita a recurso (art. 18); a parte só pode pedir a nulidade nas hipóteses do art. 32.
  • Relação comercial: anos de litígio público costumam encerrar parcerias. Um procedimento curto e reservado deixa mais espaço para as partes continuarem negociando.

Quando o Judiciário sai mais barato

A arbitragem não é a opção mais econômica em todos os casos. O Judiciário tende a custar menos quando:

  • a causa cabe no Juizado Especial Cível, em que o primeiro grau não cobra custas (Lei 9.099/95, art. 54). Os limites estão em Juizado Especial Cível: limites e competência;
  • a parte tem direito à gratuidade da justiça (CPC, art. 98). Segundo o CNJ, cerca de metade das ações tramita sem cobrança de custas, por serem criminais, de juizados ou com gratuidade;
  • o valor em disputa é baixo em relação às custas mínimas da câmara indicada no contrato;
  • o direito não é patrimonial disponível, ou não há cláusula arbitral e a outra parte não aceita um compromisso. Nesses casos, a arbitragem não é possível (Lei 9.307/96, art. 1º).

Os demais critérios de escolha, além do custo, estão em arbitragem vs Judiciário: qual é mais eficiente, e as vantagens e limites do método, em vantagens da arbitragem.

Perguntas frequentes

Quem paga os custos da arbitragem?

Cada câmara define o adiantamento no regulamento. No CAM-CCBC, por exemplo, quem inicia paga a taxa de registro, e a taxa de administração e os honorários são rateados meio a meio. No fim, a sentença arbitral decide quem arca com as custas, respeitado o que a convenção previu (Lei 9.307/96, art. 27).

Preciso de advogado para fazer uma arbitragem?

Não. A Lei 9.307/96 permite que as partes postulem por advogado, mas garante a faculdade de designar quem as represente ou assista (art. 21, § 3º). No Judiciário, fora do Juizado Especial até 20 salários mínimos, o advogado é obrigatório.

A arbitragem tem perícia?

Tem, quando a prova técnica é necessária, e ela é a principal causa de alongamento do procedimento. Na pesquisa Arbitragem em Números 2025, a perícia aumentou a duração média das arbitragens em 28 meses. Escolher um árbitro com formação técnica ajuda a entender a prova, mas não substitui o perito quando o caso exige.

Como fazer a sua conta

  1. Some as taxas judiciárias do seu estado para as fases que o caso deve atravessar, mais advogado e o risco de sucumbência.
  2. Pegue a tabela da câmara prevista no contrato e veja as custas mínimas da faixa do seu valor.
  3. Estime o custo de esperar: quanto o valor em disputa rende ou custa para você a cada ano de processo.
  4. Verifique se há cláusula arbitral. Sem ela, a arbitragem depende de a outra parte aceitar.

Se a disputa ainda não existe, a decisão mais barata é tomada na assinatura do contrato. O guia prático da cláusula arbitral mostra como prever a câmara e as regras de custas.

A página como funciona a arbitragem na Arbitralis explica o procedimento com custo fixo e sentença em até 30 dias. Para simular a diferença no seu caso, use a calculadora de economia.

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