O despejo na arbitragem funciona em duas etapas. O árbitro pode julgar o conflito da locação, reconhecer a falta de pagamento, declarar o contrato rescindido e condenar o inquilino a pagar e a devolver o imóvel.
A desocupação forçada, porém, só acontece com ordem de um juiz, porque o árbitro não tem poder de polícia para retirar ninguém do imóvel.
Essa divisão explica por que o tema gera dúvida. A sentença arbitral tem os mesmos efeitos da sentença judicial, mas a eficácia do despejo depende de uma cláusula arbitral bem feita, de uma citação comprovada e de um pedido formulado de modo que o Judiciário consiga cumprir a decisão sem rediscutir o mérito.
A Lei de Arbitragem permite que pessoas capazes resolvam por arbitragem conflitos sobre direitos patrimoniais disponíveis (art. 1º da Lei 9.307/1996). Aluguel, encargos, multa e rescisão de contrato se encaixam nessa categoria. Com uma cláusula compromissória válida, o árbitro pode, por exemplo:
O árbitro é juiz de fato e de direito, e a sentença que ele profere não depende de homologação judicial (art. 18). Quando condena, ela vale como título executivo (art. 31 da Lei 9.307/1996 e art. 515, VII, do Código de Processo Civil).
Se o inquilino não sai no prazo fixado, o locador precisa pedir o cumprimento da sentença arbitral na Justiça. No caso de sentença arbitral, o devedor é citado no juízo cível para cumpri-la (art. 515, § 1º, do CPC).
Não cumprida a obrigação de entregar o imóvel, o juiz expede mandado de imissão na posse em favor do credor (art. 538 do CPC).
Durante a arbitragem, o árbitro também pode pedir ajuda ao Judiciário por meio de carta arbitral, para que um juiz pratique ou determine o cumprimento de um ato que depende de força estatal (art. 22-C da Lei 9.307/1996 e art. 237, IV, do CPC).
Na prática, o caminho fica assim:
O ponto mais sensível é um precedente do Superior Tribunal de Justiça. No REsp 1.481.644/SP, julgado pela Quarta Turma em 1º de junho de 2021 (relator ministro Luis Felipe Salomão), o STJ entendeu que o juízo arbitral não é competente para a ação de despejo por falta de pagamento, mesmo com cláusula compromissória no contrato.
O fundamento foi a natureza executiva do despejo, que leva à retirada do ocupante, e a falta de poder coercitivo direto dos árbitros.
O caso envolvia um shopping center e uma lojista que havia abandonado o imóvel. Desde então, tribunais estaduais vêm dando cumprimento a sentenças arbitrais que condenam o inquilino a desocupar.
Um levantamento publicado pela ConJur em agosto de 2024 reuniu 32 decisões estaduais sobre o tema desde 2023, 24 delas favoráveis ao despejo, com a desocupação feita pelo juiz na fase de cumprimento de sentença.
Há também decisões em sentido contrário. Em 2024, a 2ª Vara Empresarial e de Conflitos Relacionados à Arbitragem de São Paulo anulou uma sentença arbitral de despejo (processo 1106057-16.2023.8.26.0100) por entender que a cláusula foi imposta ao locatário num contrato de adesão e que não havia prova de citação adequada, segundo reportagem do Migalhas.
Para uma leitura mais ampla da jurisprudência, veja o que o STJ realmente decidiu sobre arbitragem imobiliária.
A conclusão prática: a arbitragem resolve bem a cobrança e a rescisão, e a desocupação depende do juiz que vai cumprir a sentença.
Quem precisa de liminar de desocupação em 15 dias nas hipóteses do art. 59, § 1º, da Lei do Inquilinato deve avaliar a ação de despejo judicial, que tem rito próprio para isso.
As decisões que anulam ou deixam de cumprir sentenças arbitrais em locação costumam apontar os mesmos problemas. Evitá-los é o que dá efetividade ao procedimento.
| Critério | Arbitragem | Ação de despejo judicial |
|---|---|---|
| Exige cláusula ou acordo | Sim, cláusula compromissória ou compromisso arbitral | Não |
| Quem decide | Árbitro escolhido conforme o regulamento da câmara | Juiz da comarca do imóvel, salvo foro eleito (art. 58, II, da Lei 8.245/1991) |
| Recurso | Sentença sem recurso; cabe ação de nulidade nas hipóteses do art. 32 | Apelação e demais recursos |
| Liminar de desocupação em 15 dias | Medida de urgência pedida ao árbitro ou ao juiz antes da arbitragem (arts. 22-A e 22-B) | Prevista no art. 59, § 1º, com caução de três aluguéis |
| Retirada forçada do ocupante | Depende do cumprimento da sentença no Judiciário | Mandado de despejo expedido pelo próprio juízo |
Na Arbitralis, o procedimento é 100% online, com custo fixo e sentença arbitral em até 30 dias. Esse prazo vale para a decisão da câmara; o eventual cumprimento judicial segue o tempo da comarca.
A sentença arbitral na Arbitralis sai em até 30 dias. Se o inquilino pagar ou sair no prazo fixado, o conflito termina aí. Se não sair, soma-se o tempo do cumprimento de sentença no juízo cível, que varia conforme a comarca.
Pode deixar de participar, mas isso não impede a sentença. Se foi citado corretamente e não se defendeu, o procedimento segue e o árbitro decide com base nas provas apresentadas. A citação bem documentada é o que protege essa sentença depois.
Só a que tem cláusula compromissória válida ou em que as partes assinam um compromisso arbitral depois que o conflito surge (art. 9º da Lei 9.307/1996). Sem um dos dois, o caminho é o Judiciário.
Antes de escolher o caminho, confira três pontos no contrato: se há cláusula arbitral destacada e assinada, se existe fiador e se há prova de que o inquilino foi avisado do atraso. Com isso resolvido, a Arbitralis para imobiliárias integra notificação, acordo e arbitragem numa única plataforma.
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