A arbitragem em contratos de aluguel permite que locador e inquilino resolvam cobranças, multas, danos ao imóvel e rescisão com um árbitro, fora do Judiciário.
Para isso, o contrato precisa de uma cláusula compromissória escrita, ou as partes precisam assinar um compromisso arbitral quando o conflito já existe. A sentença tem os mesmos efeitos de uma decisão judicial e, se condenatória, vale como título executivo.
O que a arbitragem não faz é usar força: se o inquilino não cumpre a decisão, o locador leva a sentença ao juiz para execução. Saber disso na hora de redigir o contrato evita a maior parte dos problemas.
A Lei 9.307/1996 admite arbitragem sobre direitos patrimoniais disponíveis (art. 1º). Numa locação, isso inclui:
O despejo merece atenção à parte. O STJ já decidiu que o juízo arbitral não é competente para a ação de despejo por falta de pagamento, por causa da natureza executiva da medida, enquanto tribunais estaduais vêm cumprindo sentenças arbitrais que determinam a desocupação.
Explicamos esse cenário em despejo na arbitragem: o que o árbitro decide e como a desocupação acontece.
A cláusula deve ser escrita e pode estar no próprio contrato ou em documento que se refira a ele (art. 4º, § 1º).
Em contratos de adesão, como os modelos padronizados que imobiliárias usam em várias locações, a lei exige mais: a cláusula só tem eficácia se o aderente concordar expressamente, em documento anexo ou em negrito, com assinatura ou visto específico para ela (art. 4º, § 2º).
Na prática, uma cláusula segura para locação tem:
Um exemplo de redação, hipotético e a adaptar ao caso: "Qualquer conflito decorrente deste contrato será resolvido por arbitragem administrada pela [câmara], conforme seu regulamento, por árbitro único. As partes e o fiador declaram concordar expressamente com esta cláusula, que assinam em separado." Para outros formatos, veja como redigir a cláusula compromissória e o guia de implementação da cláusula da Arbitralis.
Há dois caminhos. As partes podem assinar um aditivo com a cláusula, valendo para conflitos futuros, ou, com o conflito já instalado, firmar um compromisso arbitral, que é o acordo para levar aquela disputa específica à arbitragem (art. 9º da Lei 9.307/1996). Nos dois casos, é preciso concordância de ambos.
| Ponto | O que esperar |
|---|---|
| Prazo | Na Arbitralis, sentença em até 30 dias, com procedimento 100% online |
| Custo | Fixo e conhecido antes de começar |
| Recurso | Não há recurso; a sentença só pode ser anulada nas hipóteses do art. 32 da Lei 9.307/1996 |
| Sigilo | Pode ser previsto no regulamento ou na cláusula |
| Execução forçada | Penhora, bloqueio e desocupação dependem do Judiciário |
| Risco principal | Cláusula sem os requisitos do art. 4º, § 2º, que pode ser declarada ineficaz |
A arbitragem costuma compensar para quem administra muitos contratos com o mesmo modelo, porque a cláusula bem redigida vale para toda a carteira. Imobiliárias que querem padronizar esse fluxo podem conhecer a solução da Arbitralis para imobiliárias.
Sim, desde que a cláusula cumpra a Lei 9.307/1996, com destaque e concordância expressa quando o contrato for de adesão. O ponto de disputa mais comum é a forma da cláusula, não a possibilidade de usar arbitragem.
Fica mais protegido o locador que colhe a assinatura do fiador na própria cláusula. Sem isso, o fiador pode alegar que não aceitou a arbitragem. Entenda em arbitragem com fiador no contrato de locação.
Não. Arbitramento de aluguel é a fixação de um valor, por exemplo na ação revisional, que pode ser pedida ao juiz após três anos de contrato (art. 19 da Lei 8.245/1991), ou no aluguel-pena que o locador pode arbitrar quando o locatário notificado não devolve a coisa (art. 575 do Código Civil).
Arbitragem é o método de resolver o conflito com um árbitro.
Revise o modelo que você usa hoje com três perguntas: a cláusula está destacada e tem assinatura própria, o fiador assinou esse trecho e o contrato traz e-mail e telefone para comunicações. Se a resposta for não para alguma delas, ajuste o modelo antes de firmar novas locações.
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