Para cobrar o inquilino inadimplente, a Lei do Inquilinato permite exigir o aluguel, os encargos do contrato, a multa e os juros combinados, tanto do inquilino quanto do fiador. A cobrança começa por escrito, com o débito calculado e prazo para pagar.
Se o inquilino não paga, há três saídas: a ação de despejo cumulada com a cobrança, a execução direta do contrato, que já é título executivo, ou a arbitragem, quando o contrato tem cláusula arbitral. O direito de cobrar aluguéis prescreve em três anos.
A Lei 8.245/1991 obriga o inquilino a pagar pontualmente o aluguel e os encargos legais ou contratuais (art. 23, I). Na cobrança, entram:
A multa moratória é a que o contrato fixar. A Lei do Inquilinato não traz um teto específico para ela, mas o juiz pode reduzir a penalidade manifestamente excessiva (art. 413 do Código Civil).
Sem juros combinados, aplica-se a taxa legal do art. 406 do Código Civil. O cálculo está em juros de mora e correção monetária.
O inquilino entra em mora no dia seguinte ao vencimento, porque o aluguel tem data certa (art. 397 do Código Civil). O proprietário ou a imobiliária pode cobrar desde então, por telefone, mensagem ou carta, desde que sem ameaça nem constrangimento.
Cortar água e luz, trocar a fechadura ou reter pertences não é cobrança: é exercício arbitrário das próprias razões, crime do art. 345 do Código Penal. O que pode e o que não pode na cobrança fora do Judiciário está em cobrança extrajudicial: o que pode e o que não pode.
Na falta de pagamento, a lei não exige notificação antes da ação de despejo: o atraso já basta (art. 9º, III). Ainda assim, notificar costuma ser o passo que mais resolve.
Muitos inquilinos pagam ou propõem acordo ao receber um aviso formal com o valor exato, e o documento vira prova do débito e da tentativa de acordo.
A notificação deve listar os meses em aberto, o valor de cada um, os acréscimos do contrato e o prazo para pagamento, com comprovante de entrega.
O que escrever e por qual canal enviar está em notificação extrajudicial em imóvel. Imobiliárias podem emitir a notificação de cobrança de aluguel pela Arbitralis, sem necessidade de advogado.
A garantia contratada define de quem mais o proprietário pode cobrar:
O contrato só pode ter uma dessas garantias (art. 37, parágrafo único). Sem nenhuma delas, o despejo por falta de pagamento admite liminar de desocupação em 15 dias (art. 59, § 1º, IX). A escolha entre as modalidades está em fiador, seguro-fiança ou caução.
| Caminho | Quando faz sentido | Base legal |
|---|---|---|
| Ação de despejo com cobrança | O proprietário quer o imóvel de volta e os valores atrasados, inclusive do fiador | Lei 8.245/91, arts. 5º, 9º, III, e 62, I |
| Execução do contrato | O inquilino já saiu ou o proprietário quer só receber, sem pedir a desocupação | CPC, art. 784, VIII |
| Arbitragem | O contrato tem cláusula compromissória válida e o conflito é de valores ou rescisão | Lei 9.307/96, arts. 4º e 31 |
O pedido de rescisão pode ser cumulado com o de cobrança dos aluguéis e acessórios. A petição traz o cálculo discriminado do débito, o inquilino é citado para responder à rescisão e o inquilino e os fiadores, à cobrança (art. 62, I). As etapas estão em ação de despejo passo a passo.
| Etapa | O que acontece |
|---|---|
| Notificação | Recomendável: registra o débito e a tentativa de acordo, mas não é requisito da ação |
| Ajuizamento | Ação de despejo distribuída com cálculo do débito; inquilino e fiador citados |
| Liminar (contrato sem garantia) | Desocupação em 15 dias, sem ouvir o inquilino, mediante caução de 3 aluguéis |
| Purgação da mora | 15 dias da citação para depositar o débito e manter o contrato, salvo uso nos 24 meses anteriores |
| Sentença e desocupação | Mandado com 30 dias para sair, reduzidos a 15 no despejo por falta de pagamento |
A purgação da mora é o ponto que mais surpreende o locador. Citados, o inquilino e o fiador podem depositar em 15 dias o débito atualizado, com multas exigíveis, juros, custas e honorários de 10%, e o contrato continua (art. 62, II).
Essa saída não vale se o inquilino já a usou nos 24 meses anteriores à ação (art. 62, parágrafo único).
O Código de Processo Civil considera título executivo extrajudicial o crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel de imóvel e de encargos acessórios, como condomínio (art. 784, VIII, do CPC). Com contrato escrito e prova do débito, o locador pode executar a dívida sem passar por uma ação de conhecimento.
Esse caminho serve quando o inquilino já devolveu o imóvel ou quando o proprietário quer apenas receber. Como um documento vira título executivo está em título executivo: o que é.
Com cláusula compromissória válida, o árbitro decide a cobrança dos aluguéis, multas e danos e a rescisão do contrato, e a sentença condenatória vale como título executivo. Na Arbitralis, a sentença segue os prazos do regulamento, com custo fixo e procedimento 100% online.
A desocupação é outra história. O STJ já decidiu que compete ao juiz togado julgar a ação de despejo, apesar da cláusula compromissória, e a retirada forçada sempre depende do Judiciário. Os limites estão em despejo na arbitragem.
A Lei do Inquilinato não atribui essa obrigação à imobiliária: quem deve é o inquilino e, se houver, o garantidor. Se a imobiliária tem de repassar o aluguel mesmo sem receber, essa obrigação vem do contrato de administração assinado com o proprietário, como nos serviços de aluguel garantido.
Sim, se forem encargos que cabem a ele. As contas de consumo são do inquilino (art. 23, VIII), e o IPTU só passa a ele se o contrato disser expressamente (art. 22, VIII). A falta de pagamento desses encargos também autoriza o despejo (art. 9º, III).
Três anos, contados de cada vencimento (art. 206, § 3º, I, do Código Civil). Depois disso, a pretensão de cobrança prescreve. Veja quando a dívida prescreve.
Com um. Não há número mínimo de aluguéis atrasados nem para cobrar nem para pedir o despejo. O que muda com o tempo é o tamanho da dívida e a chance de receber.
Redigir uma cláusula mais dura não resolve: a Lei do Inquilinato é de ordem pública, e cláusulas que tentam afastar seus objetivos são nulas (art. 45). O que encurta a cobrança é ter, desde o primeiro atraso, o débito calculado, a notificação com comprovante e a garantia acionada.
Com esses três itens, escolha o caminho pelo objetivo: imóvel de volta, despejo com cobrança; só o dinheiro, execução; cláusula arbitral no contrato, arbitragem. A sequência completa antes de qualquer processo está no guia do inquilino inadimplente: o que fazer antes da Justiça.
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