
Por Henrique Freitas, COO e Cofundador da Arbitralis.
A IV CR Connection Mission LATAM reuniu em Buenos Aires, entre 1 e 3 de junho de 2026, magistrados, juristas, mediadores, árbitros, câmaras arbitrais e empresários do Brasil e da América Latina. A programação passou pela Facultad de Derecho da Universidad de Buenos Aires, pelas Cortes Superiores argentinas e pelo Congresso Nacional, em torno de três eixos centrais: inteligência artificial, ESG e métodos consensuais de resolução de disputas. Participaram o Ministro Luiz Fux do STF, Jay Folberg e Francisco Diez — dois dos maiores nomes mundiais em mediação — além de representantes da JAMS International, do CPR Institute, da ONU e da OEA. A Arbitralis, primeira câmara de arbitragem 100% digital do Brasil, esteve presente representada pelo COO Henrique Freitas, com apresentação de artigo acadêmico e reuniões institucionais.
"Eu decido muita coisa, mas resolvo muito pouco." A frase, dita por um desembargador brasileiro durante a missão, resume com precisão o diagnóstico coletivo do encontro.
Essa distinção importa. O Judiciário é eficiente em encerrar processos — mas encerrar não é o mesmo que resolver. Partes que saem de uma sentença sem pacificação real voltam a litigar, e o ciclo recomeça. O Brasil acumula mais de 80 milhões de processos em tramitação, segundo dados do CNJ. Cada sentença fecha um número no acervo. Mas nem sempre o conflito por trás dele foi resolvido.
O consenso entre os participantes foi honesto: historicamente, o avanço foi real. A criação de processos estruturados de litígio representou um salto de qualidade enorme em relação ao passado. Mas o modelo chegou ao seu limite. O próximo passo não virá de mais processo — virá de mais resolução.
A IA foi um dos três eixos centrais da missão, com aplicações concretas apresentadas: leitura automatizada de documentos, comprovação de fatos, análise preditiva de precedentes e gestão de acervos processuais.
Junto com o entusiasmo vieram as perguntas que o setor ainda não resolveu. Como regulamentar? Onde já é seguro aplicar IA em fluxos jurídicos? A Resolução CNJ 615/2025 já estabelece que a IA no Judiciário deve ter caráter exclusivamente auxiliar, com supervisão humana obrigatória. O debate em Buenos Aires foi além: o que fazer com a IA fora do Judiciário, em câmaras arbitrais e plataformas de ODR, onde a regulação é menos prescritiva?
A conclusão dos painéis foi de equilíbrio. IA aplicada a leitura, triagem e comprovação já entrega ganho real com risco controlado. Decisão automatizada sem supervisão humana segue fora dos limites — no Brasil e na maioria das jurisdições representadas.
Para quem quer entender essa fronteira com mais profundidade, a Arbitralis publicou uma análise completa sobre IA e resolução de conflitos, incluindo o que a Resolução CNJ 615/2025 muda na prática para empresas.
Ver representantes de diferentes países chegando às mesmas conclusões foi o aspecto mais valioso da missão. O colóquio entre as magistraturas argentina e brasileira nas Cortes Superiores mostrou que a sobrecarga judicial e a busca por métodos alternativos não são problemas locais — são estruturais.
A conversa com Serena Lee, diretora do CPR Institute — uma das instituições de arbitragem mais respeitadas dos Estados Unidos — trouxe uma perspectiva externa concreta. O modelo da Arbitralis, que posiciona arbitragem digital em escala integrada a produtos financeiros e imobiliários, despertou interesse por ser uma abordagem ainda incomum no mercado americano, onde a arbitragem segue predominantemente avessa ao volume e à tecnologia.
"A gente viu que está no caminho certo. Existem diversas formas de ADR sendo desenvolvidas no mundo, e o que a Arbitralis constrói aqui no Brasil está alinhado com o que há de mais avançado globalmente." (Henrique Freitas, COO da Arbitralis)
A presença da JAMS International e dos representantes do sistema ONU e OEA confirmou que ADR deixou de ser tema de nicho. Mediação, arbitragem e Dispute Boards aparecem hoje na agenda global de acesso à justiça como instrumentos de eficiência e pacificação.
Três coisas concretas.
Validação de tese. O modelo de resolução extrajudicial estruturada — em camadas, com tecnologia e com validade jurídica — é o próximo passo do setor globalmente. A Arbitralis já opera esse modelo: mais de 30 mil casos resolvidos, sentença arbitral em até 30 dias e 70% de cumprimento voluntário.
Melhorias de infraestrutura. "Saímos de Buenos Aires com melhorias identificadas para a infraestrutura que estamos construindo", disse Henrique. "Não foi só networking. Foi aprendizado aplicável." As discussões técnicas sobre comprovação documental, regulamentação de IA e padrões internacionais de ODR geraram insumos diretos para a evolução da plataforma.
Conexões institucionais. A missão consolidou relacionamentos com operadores internacionais de ADR, academia, CPR Institute e instituições multilaterais — ampliando o ecossistema em que a Arbitralis atua.
O maior valor não foi nenhuma palestra específica. Foi a troca. Ver que pessoas em contextos completamente diferentes chegam às mesmas conclusões valida o caminho.
Se a sua empresa lida com alto volume de disputas contratuais e quer entender como a resolução extrajudicial funciona na prática, conheça como implementar a Arbitralis nos seus contratos.
Leia também: IAJus 2026 — o que a Arbitralis viu no CNJ em Brasília
Henrique Freitas é COO e cofundador da Arbitralis, primeira câmara de arbitragem 100% digital do Brasil. Lidera a operação e a estratégia de produto da plataforma, que já resolveu mais de 30 mil casos para parceiros como QuintoAndar e Creditas.
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