
No dia 24 de abril de 2026, a Arbitralis esteve na sede do Conselho Nacional de Justiça, em Brasília, para o IAJus 2026 — Encontro de Integração em Inteligência Artificial do Judiciário. Não como expositora. Como ouvinte atenta. O objetivo era entender de perto as dores do sistema, conversar com quem está construindo soluções e identificar onde a tecnologia que a Arbitralis desenvolve pode contribuir para um Judiciário mais eficiente — e para uma sociedade que judicializa menos.
O IAJus 2026 foi promovido pelo Comitê Nacional de Inteligência Artificial do Judiciário (CNIAJ) com o objetivo de fomentar a integração entre tribunais e conselhos e promover o intercâmbio de experiências e soluções relacionadas ao desenvolvimento, à implementação, à sustentabilidade e à governança da inteligência artificial no sistema de justiça brasileiro. Tostoadv
A mesa de abertura contou com o Ministro Luiz Edson Fachin, presidente do STF e do CNJ, o Conselheiro Rodrigo Badaró, presidente do CNIAJ, a Ministra Daniela Teixeira do STJ, a Juíza Federal Daniela Madeira, ex-presidente do CNIAJ, e o Conselheiro João Paulo Schoucair, presidente da Comissão de TI e Inovação do CNJ. A programação da tarde incluiu o lançamento do Sinapses 2.0, plataforma nacional de compartilhamento de modelos de IA entre tribunais, e a divulgação da segunda edição da pesquisa sobre o uso de IA generativa no Judiciário brasileiro.
O que ficou claro desde a abertura: o Judiciário sabe que precisa mudar, tem pessoas competentes trabalhando nisso e está criando estrutura para avançar. O desafio não é falta de vontade — é escala e fragmentação.
A percepção mais marcante do dia não veio de nenhum painel — veio das conversas nos corredores e das falas que se repetiram ao longo do evento. O Brasil tem mais de 90 tribunais. Cada um com sua equipe de tecnologia. Cada um desenvolvendo suas próprias soluções de IA. E, na maioria das vezes, desenvolvendo as mesmas coisas que outros tribunais já desenvolveram — ou estão desenvolvendo ao mesmo tempo.
O Programa Conecta, desenvolvido no âmbito do Programa Justiça 4.0 em parceria com o PNUD, funciona como incubadora: acelera ferramentas desenvolvidas pelas cortes e as disponibiliza para os demais órgãos do Judiciário, promovendo colaboração institucional e evitando esforços duplicados. O Sinapses 2.0, lançado no evento, caminha na mesma direção: um repositório nacional onde o que um tribunal desenvolve pode ser reaproveitado por todos os outros. Tostoadv
A lógica é correta. O caminho é esse. Mas a magnitude do problema ainda é grande: anos de desenvolvimento paralelo, equipes ocupadas com problemas já resolvidos em outro tribunal, horas de trabalho que poderiam estar avançando para desafios ainda sem solução. Uma juíza com quem conversei durante o evento tem um plano ambicioso para mudar isso — criar uma estrutura de governança tecnológica centralizada que permita que cada tribunal foque no que é específico da sua realidade, e não no que é universal para todos. É o tipo de visão que o sistema precisa de quem está dentro dele.
Além da fragmentação tecnológica, dois outros temas ocuparam espaço relevante nas discussões do IAJus 2026.
O primeiro é a litigância predatória amplificada por IA. Com ferramentas de IA acessíveis, o volume de ações judiciais tende a crescer — não porque surjam mais conflitos reais, mas porque o custo de ajuizar uma ação cai. O sistema judicial, já sobrecarregado com mais de 80 milhões de processos em tramitação segundo dados do CNJ, enfrenta o risco de ser inundado por demandas que poderiam ser resolvidas extrajudicialmente se houvesse o caminho certo.
O segundo é a governança do uso da IA dentro do próprio Judiciário. A Resolução CNJ n. 615/2025 estabelece que a inteligência artificial deve ter caráter exclusivamente auxiliar, vedando qualquer forma de decisão judicial automatizada sem supervisão humana. O debate sobre como implementar essa diretriz na prática — sem frear a adoção de ferramentas úteis, mas sem abrir mão do controle humano sobre decisões que afetam direitos — foi um dos pontos centrais do encerramento do evento. Tostoadv
Sair do IAJus 2026 com uma visão mais clara do que o Judiciário precisa reforçou o que já sabemos sobre o papel da Arbitralis: a solução para o volume de processos não está apenas dentro do Judiciário. Está antes dele.
Cada conflito que chega ao Judiciário já chegou tarde. Passou pela fase em que poderia ter sido notificado, negociado, conciliado ou arbitrado — e não foi. O resultado é um processo que ocupa anos de um sistema que já está no limite. A Arbitralis existe para fechar essa etapa anterior. Do primeiro contato formal ao acordo ou sentença, tudo dentro de um ecossistema digital integrado — sem precisar judicializar.
O que ficou evidente no IAJus é que há espaço para uma integração real entre o que a Arbitralis faz e o que o Judiciário precisa. Nos casos que precisam ser judicializados, a Arbitralis pode entregar ao tribunal um processo muito mais estruturado: histórico de notificações documentadas, tentativas de negociação registradas, evidências organizadas. O tribunal recebe o caso pronto para decidir — não para reconstruir o que aconteceu antes.
Conversamos com pessoas do CNJ, incluindo Jeremias e Thiago Vieira, sobre como esse tipo de integração pode funcionar na prática. As possibilidades são concretas e o interesse é mútuo. O trabalho de aproximação começa agora.
Eventos como o IAJus 2026 raramente entregam respostas prontas. Entregam algo mais valioso: clareza sobre os problemas reais. Saio de Brasília com três convicções mais firmes do que quando cheguei.
A primeira: o Judiciário tem pessoas excepcionais trabalhando em problemas difíceis com recursos limitados. O problema não é falta de competência — é falta de coordenação em escala.
A segunda: a IA vai ampliar o volume de conflitos que chegam ao sistema judicial se não houver uma camada extrajudicial funcionando bem antes. Tecnologia que facilita acesso à justiça precisa ser acompanhada de tecnologia que facilita resolução antes da justiça.
A terceira: a Arbitralis está no lugar certo. O ecossistema jurídico digital que estamos construindo — da notificação extrajudicial à arbitragem com sentença em até 30 dias — é exatamente o que complementa o Judiciário, não compete com ele. Empresas e advogados que usam a Arbitralis hoje estão contribuindo para um sistema de justiça menos congestionado. Isso importa além do caso concreto.
Se você quer resolver conflitos antes de judicializar — e contribuir para um Judiciário com menos processos desnecessários — a Arbitralis é o caminho.
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